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Terça-feira, 17 de outubro de 2017

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Após denúncias de peixes em período de reprodução, Conselho realiza pesquisa sobre piracema

Da Redação - Viviane Petroli

02 Fev 2017 - 14:18

Foto: Meneguini/GCom-MT

Após denúncias de peixes em período de reprodução, Conselho realiza pesquisa sobre piracema
Após alterar o período da Piracema 2016/2017em Mato Grosso para entre outubro e janeiro, o Conselho Estadual da Pesca (Cepesca) já avalia o tempo de proibição da pesca dos rios do Estado 2017/2018. O Conselho revela ter recebido relatos de pescadores de que ainda há espécies em período de desova. Áudios e fotos circulam nas redes sociais e em grupos de WhatSapp.

A Piracema em Mato Grosso encerrou na terça-feira, 31 de janeiro, com sete toneladas de pescado irregular apreendidas. O volume supera, inclusive, em 160% as 2,6 mil toneladas apreendidas no período proibitivo da pesca 2015/2016.

A mudança do período da Piracema de novembro a fevereiro para outubro a janeiro, de acordo com a secretária executiva do Cepesca, Gabriela Priante, foi embasada em estudos realizados durante cinco meses no ano passado, que apontou alteração no comportamento reprodutivo dos peixes em Mato Grosso.

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O estudo, conforme Priante, apontou que 84% das espécies entram fase de ovulação ao mesmo tempo em outubro. "Vimos que o percentual em fevereiro de peixes em desova era menor. Vale ressaltar que algumas espécies se reproduzem em várias épocas do ano. A Piracema é um período em que a maioria dos peixes estão em reprodução”.

A secretária executiva do Cepesca, revela que o Conselho recebeu informalmente de pescadores relatos de que ainda há considerável volume de peixes em reprodução. Ao Agro Olhar, Priante pontuou que os casos que chegaram estão sendo investigados. “Tais informações estão sendo analisadas pelo Cepesca. Porém, já era previsto haver espécies ainda em fase reprodutiva. Os estudos apontavam isso, contudo é um percentual menor de peixes”.


Pescadores denunciam que peixes ainda estão em período de desova. (Foto: Divulgação)

O estudo realizado pelo Cepesca, salienta Priante, é um projeto de pesquisa idealizado pelo conselho em atendimento à Notificação Recomendatória do Ministério Público Estadual (MPE) n° 01, de 12 de janeiro de 2015, que pede a ampliação do período de defeso de quatro para seis meses, ou seja, de outubro a março.

Além dos levantamentos feitos no começo de 2016, ainda durante a Piracema 2015/2016, levou-se em conta pela entidade estudos de anos anteriores, mais precisamente uma série histórica a partir de 2004.

"Tais informações nos mostram que outubro é o mês em que os peixes iniciam sua fase de reprodução, mas para decidir sobre o término do período da piracema, foi necessário realizar novos estudos".

Seis meses de proibição

Conforme a secretária executiva do Cepesca, estender o prazo de proibição da pesca em Mato Grosso de quatro para seis meses, como solicitado na Notificação Recomendatória do Ministério Público Estadual (MPE) n° 01, de 12 de janeiro de 2015, esbarra em questões sociais no pagamento ao seguro defeso pelo INSS e o turismo da pesca.

Hoje, Mato Grosso possui entre nove e dez mil pescadores.

O Cepesca é um órgão deliberativo, responsável pelo assessoramento do poder executivo na formulação da política estadual da pesca, composto por 18 representantes de diversas instituições, que foram as mesmas que contribuíram na execução do projeto de monitoramento, entre elas: as secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema), de Desenvolvimento Econômico (Sedec); Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura; Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat); MPE; um representante das colônias de pescadores de cada uma das três bacias hidrográficas; um representante do setor empresarial de turismo de pesca de cada uma das três bacias hidrográficas e três representantes de organizações ambientalistas.

13 comentários

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  • Chico Machado
    03 Fev 2017 às 12:34

    1 - O povo brasileiro é muito mal educado. 2 - A ignorância sobre o modo de vida e biologia reprodutiva é galopante. 3 - Eu mencionei tudo isso no CEPESCA e a maioria ainda não entendeu que o processo reprodutivo dos peixes deve ser de 6 meses (outubro a março) para a segurança da reposição de estoques. Mas o que predomina é o econumicismo, tudo é olhado de ótica econômica e não da biologia dos peixes. Previ no CEPESCA que isso ocorreria. Pra que entendam: Uma mulher grávida de um mês está grávida. Ou não é assim? Peixes já estão grávidos em outubro. Isso é fato! Terminam muitos a reprodução no mês de março. Bem assim! Não ouvem quem estuda imagine se eu Biólogo quisesse construir um prédio! Que desastre seria! Agora vem um monte de leigos, de outras profissões, querendo achar que conhecem peixes. Haja paciência!

  • Marcos
    03 Fev 2017 às 09:45

    COMENTARIO CONCLUSIVO E MUITO OPORTUNO DO CAMARADA INTITULADO PESCADOR. ESSE HOMENS QUE FAZEM LEIS, MUDAM LEIS SEQUER CONHECEM OS NOSSOS RIOS. ESSE ANO A DESOVA REALMENTE ESTA MUITO COMPROMETIDA ALIAS TOTALMENTE COMPROMETIDA.SEM FALAR QUE A FISCALIZAÇAO SÓ PEGA "PEIXE" PEQUENO.

  • jose a silva
    03 Fev 2017 às 09:32

    A mim pouco importa o período da piracema: pesco a qualquer época!

  • carmen lucia
    03 Fev 2017 às 09:20

    Afinal a pesca esta liberada ou não,com a palavra Cepesca

  • Pescador Nortão
    03 Fev 2017 às 09:11

    Fechar a pesca em outubro, quando o rio atinge o pico da seca não contribui em nada para a desova dos peixes, isso é fato. Não adianta fechar a pesca por 4 ou 6 meses ou até 5 anos como queriam fazer a 3 anos atrás, O que precisa ser feito no período de defeso é fiscalização, principalmente nos ribeirinhos com a tal pesca de subsistência. Os pescadores "profissionais" são os verdadeiros vilões dos rios, com a sua pesca totalmente predatória, com anzol de galho, espinheis, redes para pegar isca, e por ai vai. Nós pescadores "amadores" somos os que sustenta todo o comercio, as casas de pescas e etc. Gastamos uma grana preta pra passar um fim de semana no rio e na maioria das vezes não pegamos nem pra comer lá....

  • Cidadão Cuiabano
    03 Fev 2017 às 08:43

    Vamos expandir nossas ideias? 1. Sou pescador desde criança nas águas do Rio Cuiabá. Posso observar que a pesca predatória, em todos as suas variantes (pescadores profissionais, amadores, turistas, cevas desmedidas, anzóis de galhos, espinhéis, tarrafão, redes, boiões), está bastante presente, em larga escala, e sem controle, no rio 2. As espécies de peixes consumidos pela população são atualmente criadas em cativeiro. Me parece que hoje mais de 90% dos peixes comercializados são provenientes de cativeiro. Por que não PROIBIR a retirada de peixes para fins comerciais do rio? 3. Como consequência, ficaria proibida a venda de peixes do rio, seja in natura ou em restaurantes 4. O turismo de pesca consciente (cota mínima para transporte, pesque e solte, etc), como na Argentina, é fonte de renda sustentável de um inúmero contingente de pessoas na região, permitindo renda muito melhor que a verificada por aqui, seja de pousadas, agentes de fiscalização, piloteiros, restaurantes, etc. 5. A Argentina é sinônimo de peixes grandes. O Pantanal se tornou sinônimo de peixes pequenos. Os pescadores brasileiros hoje pagam milhares de reais para ir pescar lá! E a bacia do Paranazão de lá é a mesma nossa. E as espécies são as mesmas. A diferença é que lá, por exemplo, o Pintado comumente pesa 30, 40kg, enquanto o nosso, 3, 4, 5kg. Os Dourados pesam 20, 30 kg, enquanto o nosso, 2, 3, 4 kg 6. Que tal absorver os pescadores profissionais que moram na beira dos rios como fiscais de pesca, contratados para tal finalidade e remunerados para isso o ano todo? Provavelmente se exigiria legislação especial para tal medida e um cadastramento sério, já que ficariam responsáveis por um trecho de rio próximo a suas residências. Mas quem melhor do que eles para conhecerem os pontos de pesca ilegais, as armadilhas, as cevas, a pesca ilegal? E nem necessitariam de diárias, etc, para deslocar-se às áreas de fiscalização. Hoje eles são explorados por atravessadores (que na verdade são os únicos que ganham com a pesca predatória) e infestam o rio com apetrechos predatórios e muitas vezes proibidos. Um turismo forte daria muitos empregos bem remunerados para eles incentivos à piscicultura também 7. O pesque e solte é uma alternativa viável. Quem fala ao contrário não sabe do que está falando. Qualquer pesquisa séria a respeito indicará uma perda de no máximo 2% 8. Sinceramente, penso que essa discussão de período de piracema, observadas medidas como as acima citadas, se tornaria secundária. Adotando-se a proibição da pesca profissional, o pesque e solte predominante para os amadores, proibição de transporte acima de uma cota mínima para amadores, fiscalização eficiente realizada por pescadores profissionais devidamente contratados, o período de defeso seria na verdade permanente, com todas as vantagens decorrentes. 9. Aos que consideram a prática do pesque e solte nocivas à população de peixes, relato que, por aproximadamente 10 anos, realizei experiência informal própria que pode servir de subsídio à questão: quando pescava, costumava soltar alguns dos exemplares capturados no Rio Cuiabá em uma represa. Resultado: a não ser em uma meia dúzia de casos que não cheguei a soltar o peixe porque depois de um longo trajeto e espera julguei que não tinham boas condições de soltura, nenhum exemplar morreu. Estamos falando de dourados, peraputangas, pacus, piaus, jaús, cacharas, chimburés, cascudos. Pelo menos uma grande parte da cadeia produtiva que trabalha com o ecossistema não seria afetada. Quanto aos pescadores profissionais, lembro que um incremento na pesca esportiva traz oportunidades de trabalho melhores no setor do turismo, a curto e médio prazo (sem falar nas outras opções mencionadas). Basta ver o caso da Argentina, nosso vizinho, que atrai milhares de pescadores atrás dos gigantes do Rio Paraná. Lá o que vale é o pesque e solte.

  • Andre bassitt
    03 Fev 2017 às 07:39

    Proibição da piracema só existe pra nós pescadores amadores. Os profissionais acabam com nosso rio , jogando tarrafas, redes, espinheis e outros, também precisamos cuidar do esgoto jogado todos os dias, sem qualquer cuidado ambiental. Em questão a data certa da piracema, talvez nunca exista pois temos várias espécies em nossos rios e cada uma tem sua época de reprodução., Peixes de couros são maiores e precisam de mais tempo e nível de água pra chegar a cabeceira do rio, os peixes de escamas demoram menos tempo e por isso hoje encontramos alguns com ovas ainda, pois já estão retornando ao pantanal, então não irão mais desovar. Na verdade todos nós devemos ter mais consciência e participar mais sobre os estudos e cobrarmos do governo um real adequação à fauna e flora do nosso estado .

  • Thiago
    03 Fev 2017 às 07:00

    Meu ponto de vista como pescador e a falta de fiscalização na piracema Pescadores profissionais com redes tarrafa e arpões que acabou com os paixe não respeita A polícia ambiental não tem recursos do estado e não tem mas aqueles profissional rijido de antigamente .

  • José Maria gomes
    02 Fev 2017 às 17:36

    O ideal é a piracema ser de outubro a fim de fevereiro 5 meses. Porque a piracema varia em função da cheia dos rios. Tem ano que antecipa um pouco e nos outros atrasam. anos atras

  • Pescador Esportivo 01
    02 Fev 2017 às 16:47

    Sou a favor de fechar a pesca predatória desses pescadores profissionais, visto que são ele que acabam com os peixes do rio, quando descem pro pantanal com seus barcos vazios e trazem 5, 10 toneladas de peixe. A proibição do pescador profissional vai salvar os peixes. Liberem apenas a pesca esportiva.

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