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Sábado, 24 de junho de 2017

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Apenas um em cada dez desempregados que procuram o Sine Cuiabá conseguem vaga

Da Redação - Lázaro Thor Borges

28 Jan 2017 - 08:25

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Apenas um em cada dez desempregados que procuram o Sine Cuiabá conseguem vaga
A sede do Sistema Nacional de Empregos em Cuiabá (Sine) recebe uma média de 700 pessoas por dia. De acordo com o coordenador de atendimento da unidade, Carlos Eduardo Campos Leite, o número de pessoas ainda é muito maior que a quantidade de vagas oferecidas pelas empresas que parceiras da unidade. Para se ter uma ideia desse déficit, de cada dez pessoas que procuram por vagas, apenas uma consegue ser empregada.
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Na foto, o Coordenador de Atendimento do Sine Cuiabá, Carlos Eduardo Leite. (Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto)

O déficit, segundo Leite, é resultado da crise econômica em que passa o país. Na última quarta-feira, 25 de janeiro, a quantidade de vagas oferecidas foi de apenas 130 para Cuiabá e Várzea Grande. No Estado inteiro, a oferta é de cerca de 700 vagas. Ou seja, a oferta de vagas em todo Mato Grosso não seria suficiente para atender os trabalhadores desempregados da Capital.

“O principal motivo é por conta da crise econômica. Há muita demissão no mercado de trabalho e pouca contratação ou criação de vagas. Hoje, em média, o Sine consegue encaminhar no máximo uma ou duas pessoas entre cada dez que procura a unidade”, explica Carlos Eduardo.

Pessoal reduzido

O coordenador diz que o principal problema no atendimento é a falta de pessoal. Atualmente o Sine da Capital opera com apenas 50% da capacidade. O local possui 23 guichês, mas somente 13 servidores trabalham na unidade. Essa deficiência reflete no tempo de espera daqueles que procuram por uma vaga. O tempo médio é de duas horas de espera e o limite é de três horas para que o cidadão seja atendido.

Carlos Eduardo explica que, do ponto de vista estrutural, não há muito o que reclamar. Ele garante que a unidade é grande e espaçosa o suficiente para receber o número de pessoas que recebe. Apesar disso, o coordenador não tem uma sala própria, ele trabalha ao lado da recepção, atendendo pessoalmente pessoas que tiveram problemas com documentação.


Fila de espera na unidade do Sine da Capital (Foto: Rogério Florentino Pereira/OlharDireto)

Quem é atendido também não costuma ficar numa posição confortável. A maioria dos que ocupam a sala fica de pé. A ordem de chegada na fila de atendimento – que começa uma hora depois das portas se abrirem – é o que garante quem conseguirá um assento e quem será obrigado a esperar de pé.

Espera exaustiva

A espera além de longa pode resultar ser inútil, uma vez que há pouca garantia de conquistar a vaga. Muitos desistem antes de serem atendidos – é o que dizem os próprios cidadãos que aguardam do lado de fora. Outros persistem, muitas vezes impelidos por anos de desemprego.

“Sempre que posso eu venho aqui. Estou vindo já há alguns meses, quase sempre não dá pra conseguir vaga. Por isso eu tenho trabalhado em uns “bicos” e distribuo currículo pelo centro. Mas a coisa é bem difícil”, explica o borracheiro Cícero Bezerra de 46 anos, desempregado há dois.

 
Cícero está desempregado há dois anos (Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto)

Cícero conta que apenas uma vez foi encaminhado para uma vaga. Mas ele acabou sendo obrigado a desistir por conta da distância de sua casa até a empresa e a remuneração diminuta oferecida pela contratante. Enquanto as empresas lamentam a baixa qualificação da mão de obra, os trabalhadores desempregados explicam que, na maioria dos casos, os empregadores pagam muito pouco para muito serviço.

“Só o dinheiro que eu gasto de ônibus vindo até aqui para não conseguir emprego já é uma grande perda. Eu moro no Carumbé e venho quase todos os dias atrás de vaga. Vou fazer o quê? Vou matar e roubar? Não dá.”, lamenta Jair Helio Silva, de 25 anos. A exemplo de Cícero, Jair também trabalha informalmente enquanto não consegue ser empregado.


Jair Hélio é pintor de paredes e diz ter ficado desempregado há três anos atrás (Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto)

Atendimentos


Em 2016 o Sine Mato Grosso atendeu um total de 446.955. Cerca de 90% dos que foram atendidos são pessoas que estavam a procura de vagas de emprego. A maioria dos atendimentos ocorreu no começo do ano. Em março, quando um maior número de pessoas procurou por vagas, houve 45 mil atendimentos.

O trabalhador que procura pelo Sine primeiro é cadastrado e depois monta um perfil com aptidões e preferências por vagas. Este registro serve para convocar os candidatos quando surge alguma oportunidade. A maioria das vagas é referente a linha de produção, serviços gerais e empregados domésticos.

Em linhas gerais, os candidatos possuem nível médio e fundamental. Os perfis que possuem maior dificuldade para conquistarem vagas são daqueles trabalhadores acima de 40 anos, justamente aqueles que possuem mais experiência. Para os mais novos, o órgão encaminha os candidatos através do Programa Jovem Aprendiz.

O Sine é ligado ao Ministério do Trabalho, mas também é vinculado a Secretaria do Trabalho e de Assistência Social (Setas-MT). A pasta normalmente é responsável pela realização de cursos periódicos para qualificas os candidatos. Entre os parceiros da Secretaria está o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

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